Volta às aulas
Renato entrava pelo portão da escola quando avistou André e seu braço enfaixado, resmungando logo cedo. Estava do lado de sua namorada, Guta, rodeado por Sofia, Cecília e Joyce. Sentiu uma sensação de conforto, ao mesmo tempo que seu corpo se arrepiou ao olhar para Sofia, que estava linda.
Sofia sentiu o olhar de Renato em cima de si e foi quando virou-se para o portão da escola, mas seus olhos se cruzaram com os de Erick, que chegava em mesmo instante, segurando sua mochila. Teve que prender a respiração, porque seu coração foi parar no meio da garganta.
- Oi Erick. - Renato o cumprimentou, assim que Erick passou por ele pelo portão da escola. Erick parou de andar e virou-se para ele, com um meio sorriso nos lábios com piercing. - E aí, como foram as férias?
Erick deu de ombros sem responder. No fundo, todo mundo já sabia a resposta, que não eram boas notícias. Renato não soube mais o que falar e calou-se, indo juntar-se aos seus amigos.
- Oi, oi. - cumprimentou todos com um beijo no rosto.
- Erick! - Joyce avistou o namorado. Andou até ele com um sorriso nos lábios. trocaram um selinho. - Tudo bem?
- É..
- Ei, quando foi que ela ficou mais alta que você? - Cecília quem reparou, logo quando eles se juntaram.
Joyce conferiu seu sapato, apenas para constatar o que já sabia: estava sem salto para não ficar mais alta que ele. Sorriu sem graça. Erick riu.
- Ah, antes que eu me esqueça, hoje tem a primeira reunião do jornal, depois da aula. - Cecília emendou, ainda falando com Erick. - Não se atrase!
- Tá bem...
- Quer dizer que você tá mesmo namorando o Ênio? - Guta quis saber de Cecília com sua curiosidade de sempre.
- É, ela está! - Sofia quem deu a resposta, meio que debochando até cutucou Cecília com o cotovelo, a irmã apenas sorriu, um pouco sem graça.
- Ei, eu vou indo pra sala... - Renato avisou, olhando no relógio. - Já vai bater.
- Você leva minha mochila! - Andé exigiu de Erick, entregando sua mochila para seu irmão. Nesse momento, enquanto Erick pegava sua mochila, foi que André se tocou da dura verdade: agora eles não tinham que ser mais irmãos, visto que seus pais se separaram e eles não possuíam laços de sangue. Sentiu uma enorme tristeza.
E foi com esses pensamentos que André entrou na sala.
- O que você está fazendo, Cecy? - Joyce sentou-se ao lado de Cecília durante o intervalo das aulas, segurando seus cadernos.
- Ai, Joyce... - Cecília tinha levado o maior susto, concentrada escrevendo em um papel cheiroso e esverdeado com canetinhas coloridas.
- É uma carta de amor? - Joyce não podia acreditar. Cecília não era o tipo de garota que ficava apaixonada e cheia de romances pra cima de um cara. Cecília a encarou com a boca entreaberta e os olhos esverdeados arregalados se entregando. - Quem te viu e quem te vê, hein! Nunca imaginei que você fosse se derreter por um intelectualóide como o Ênio! Ele é do tipo que você não suporta! - Achou graça e soltou os cadernos em cima da mesa de mármore da lanchonete.
- Ah, como se você pudesse falar alguma coisa, namorando aquele marginal do Erick! - Cecília pegou pesado, não porque queria ofender Joyce mas nunca poupava ofensas quando o assunto era Erick.
- Não vou me dar ao trabalho em responder. - Joyce resmungou. Que saco. Por que Cecília tinha sempre que implicar com o seu namoro? Já estava há meses com Erick e estava feliz, custava aceitar? Tudo bem que Erick tinha alguns defeitos bem notáveis, mas as piores pessoas na opinião de Joyce eram sempre aquelas com defeitos mascarados. Erick era sincero e não saberia mentir, era autêntico demais.
- Não conte a ninguém. - Cecília pediu segredo a respeito de sua carta de amor.
- Tudo bem. - Joyce deu de ombros.
- E como estão as aulas de ballet? Já sabe se vai passar?
- O teste é só em outubro, estamos em agosto!
- Por falar nisso estamos é perto do meu aniversário... e da Sofia, claro... já que ela resolveu nascer no mesmo dia que eu! - Cecília pegou em sua bolsa dois convites em um envelope lilás. - Um para a dama e um para o vagabundo não entrar de penetra. - fez a famigerada piada. - Não vai ser uma mega festa porque a Sofia anda muito chata e não consigo fazer ela aceitar nada do que eu quero!!
- Já tava na hora da Sofia impor mais as vontades dela e parar de aceitar tudo o que você manda ela fazer.
- É, isso é. - Cecília riu. Joyce sempre dava o troco, não importava como... e era sempre mais bem sucedida! Uma classe digna de uma rainha que deixava a inocência da princesa para trás. - Vocês vão, certo?
- Acho que sim, eu tenho que ver com o Erick, as coisas tão meio chatas na casa dele.
- Ele é chato. Não sei o que você vê nele, são os piercings? Bem que ouvi falar que beijar gente de piercing é maravilhoso, só não achei que isso se aplicava a você. - Cecília provocou.
- Não sei explicar. Do lado do Erick eu me sinto segura.
- Segura do quê, Joyce? Ele é um bêbado, não tira notas altas... sem contar que tenho certeza que ele um dia vai trair você! Questão de tempo! Ele não presta, sério, aquele cara não me engana. Você é tão bonita e tudo mais, foi se apaixonar justo por um traste bêbado daquele naipe!! Você deve estar doida.
- Eu não preciso que ninguém escolha o meu namorado por mim.
- Tá, você quem sabe, mas pra mim você só está assim porque ele é o primeiro homem da sua vida, assim que você conhecer mais a fundo outros garotos, vai ver como eu tenho razão. - Cecília empinou o nariz daquele jeito só dela.
- Ah, você devia se concentrar na sua carta de amor e deixar o meu namoro em paz. - Joyce perdeu a paciência. Estava cansada dessa mesma droga de sempre, que era Cecília falando de Erick como se ele não fosse ninguém importante!
- Quando você vai dar uma aliança para ela? - Guta quis saber, com um olhar castanho e curioso.
- Eu estou pensando... - Erick ficou roxo de vergonha.
- Você ainda não consegue dizer né? Depois de tudo, falar aquelas três palavrinhas ainda é a coisa mais difícil do mundo para você, não é?
- É... - teve vontade de se esconder.
- Deve ser muito sincero. - Guta suspirou parando de copiar os exercícios no caderno de André, que estava do outro lado da sala conversando com Renato e outros colegas do time de basquete sobre seu braço quebrado.
- É... - Erick mal conseguia responder. Tudo bem, ele sabia que estava em débito com Joyce, que depois de todo o apoio, carinho e compreensão que recebeu estava mais do que na hora de contribuir, mas ainda era a coisa mais difícil da sua vida.
- Quer ir ao shopping essa semana? Podemos ir depois da aula, aí você já compra a aliança, posso roubar aquele anelzinho que ela de vez em quando usa... aquele que tem uma florzinha branca.
- Você faria isso?
- Você vai esperar até quando? Já tá mais do que na hora de você mostrar mais respeito e interesse na Joyce, ela é uma garota incrível e tem muitos caras nessa escola que invejam sua posição. Você tem que cuidar... sabe, igual aquela música da Beyoncé.
- Que diabos é Beyoncé?
- Uma cantora que a Joyce adora! Tipo a J-Lo!
- Não faz diferença... - Erick nem sabia o que J-Lo queria dizer, era um total alienado em cultura pop e música não era seu interesse favorito.
- Mas e então? Podemos ir sexta!
- Ih sexta tenho psicólogo, a nova invenção dos meus dois pais!
- É chato?
- É irritante. - Erick respondeu com um suspiro. - E tem um pessoal esquisito que vai la... não pode ser quarta?
- É um ótimo dia, quarta a Joyce tem aula de ballet então ela nem vai reparar e daí você pode dar a aliança pra ela na quinta.
- Quinta?! - Erick se assustou.
- Ou sábado! Sábado seria perfeito, Erick! Conheço um restaurante que ela adora desde criança! Tenho certeza que é o local perfeito, tem um jardim de rosas brancas...
- Ai Guta não exagera, né! Nem sou assim tão romântico! Vai ficar na cara que é forçação.
- É, agora que você falou é verdade... mas vou pensar em algo melhor! Até lá vou me concentrar em roubar aquele anel dela!
- Obrigado... - Erick não sabia se queria realmente agradecer a Guta por colocá-lo naquele tipo de enrascada.
- Sabe as vezes parece que você não gosta tanto da Joyce, você é tão frio e sem reação!
- Desculpe, mas a reação é exatamente essa! Dá um nó na garganta que nem sei dizer! E só piora...
- Ai Erick, quem vê pensa que você nunca namorou sério!
- Não mesmo! Eu não sou de namorar esqueceu? Eu não tenho paciência com garotas eu mal me interesso nelas e no entanto, pela Joyce eu fui contra todos os meus princípios! Ela me deixa fora de órbita...
- Que romântico! - Guta suspirou inspirada.
- Não é romântico! - Erick soou em desespero. - Eu as vezes até esqueço de ficar triste quando estou do lado dela... mesmo quando as coisas estão um lixo.
- É, Erick... acho que posso dizer que a Joyce é o seu primeiro grande amor! Engraçado que eu achei que era a Sofia, lembra como você tremia do lado dela? - riu debochando da cara de desespero que Erick lançou. - Acho bom você treinar muito aquelas três palavrinhas para dizer o quanto antes pra Joyce, antes que ela comece a confundir sua timidez por falta de interesse.
- Você acha? Ela mesmo disse que eu não precisava falar...
- Tenho certeza que ela só não quis forçar, mas deve estar doida pra ouvir você dizer...! E você não diz porque é um bobo, ou medroso! Aliás, você tem medo de quê?
- De várias coisas... você mesma disse: a Joyce é incrível. - Erick confessou. Seu maior medo era tentar ser suficiente para ela e não ser, por isso preferia assumir que não era logo de cara, assim Joyce teria que aceitá-lo como o erro que era, sem ilusões de que dalí sairia um príncipe encantado.
Guta deu de ombros e continuou a copiar os exercícios para André. Achava bonitinho que Erick sentisse essas coisas tão simples por Joyce, meio que se enxergava no amigo quando pensava assim em relação a André, só queria que André fosse mais fofo que Erick!
- Então está decidido. - Mariluce por fim acrescentou naquela reunião. - A primeira matéria que iremos fazer vai ser sobre o campeoato de basquete! Quero uma matéria exclusiva de cada atleta famoso e claro, sobre o esporte. Você acha que consegue tirar umas fotos legais até quinta, Erick?
- Sim... - respondeu entediado.
- Por mim tudo bem - Adalberto falou, ele estava deixando o cabelo mais comprido. - Mas detesto basquete.
- Ótimo! Adalberto, você vai escrever as matérias por enquanto. A Sofia cuida da produção gráfica, o que significa que ela vai te acompanhar para dirigir suas fotos. - virou para Erick - Quero muita seriedade com esse tema, já que vai ser o meu último, agora no fim do ano tenho que me dedicar ao vestibular e a Cecy vai ser a nova editora! - Mariluce anunciou. - Cecy, você vai sair pouco da redação, tenho poucas semanas para te passar todos os processos... e temos que escolher mais uma menina para ser a jornalista.
- Ah, já tenho alguém em mente, pensei na Janete do primeiro colegial ou na Gleide! - Cecília já tinha anotado quais meninas teriam talento para ocupar sua vaga.
- Ótimo! - Mariluce decidiu por fim. - Agora é com vocês!
- Certo. - Sofia concordou. - Acho que podemos tirar umas fotos durante o treino e mais algumas no jogo, preciso só conferir o calendário das finais. O que você acha de quinta nos treinos, Erick?
- Tudo bem por mim. - concordou dando de ombros.
Sofia sorriu com alegria. Quinta-feira era um dia perfeito para colocar seu plano em prática!
André estava sentado no banco de cimento diante do canteiro, esperando na porta da escola por Erick sair da reunião do jornal. Estava com os pensamentos em crise, rodando e rodando como um tornado.
Quando Erick saiu arrumando sua mochila, quase não percebeu André, mas o garoto de braço quebrado pigarreou chamando sua atenção.
- O que você tá fazendo aqui?
- Esperando você... - André esperou Erick se aproximar. - Queria conversar...
- Ué, sobre o quê?
- Ah você sabe, sobre o papai e a mamãe... - André estava visivelmente chateado. Erick suspirou e sentou-se do lado dele largando sua mochila. - Estava pensando, agora não somos mais irmãos. Isso não é estranho?
- É, gosto mais de você agora! - Erick debochou.
- Eu... estou me sentindo mal. - André confessou. - A gente vivia brigando, lembra? Mas isso nos fez bem amigos... e agora isso acabou bruscamente. Quer dizer, agora que eu me acostumei contigo e estava até aceitando o fato de sermos irmãos... voltamos a ser apenas amigos, aliás... somos amigos?
- É acho que somos. - Erick abaixou os olhos. - Sabe é estranho... agora eu moro com um homem que foi mais seu pai do que meu esse tempo todo...
- Eu não sei como você se sente em relação a isso, mas pela sua cara, não deve ser legal. Eu não sabia que o papai tinha um filho.. ele nem e meu pai verdadeiro mas é como se fosse, deve ser assim que você se sente com o Gregory.. não é?
- É... mas ele não pode mais ser o meu pai agora.
- Você lembra aquela vez que você teve uma crise alérgica no The Marine?
- Lembro.
- Naquela noite eu tive certeza de que papai, digo, seu pai se preocupa com você... tenho certeza que o passado...
- Eu sei. - Erick o interrompeu. - Conversamos... eu entendi isso. Mas pra piorar, eu estraguei tudo... se eu nunca tivesse vindo pra cá, eles nunca teriam se separado.
- Você também roubou a minha namorada...
- Caso você tenha esquecido você já estava com a Guta...
- Eu sei. Na verdade Erick eu não te responsabilizo por isso e se fosse responsabilizar não ia olhar por esse lado, na verdade, iria te agradecer, já que só descobri o quanto eu gosto da Guta depois de tudo o que aconteceu.
- Certo... e o que vamos fazer?
- Eu não gosto da separação da minha mãe e do seu pai, mas isso é uma escolha deles e não nossa. Acho que o melhor que fazemos é aceitar isso e sermos bons amigos. O que acha?
- É uma idéia...
- É... acho que sim.
E foi dessa forma que de irmãos que se odeiam, Erick e André passaram a ser melhores amigos.
Sofia sentiu o olhar de Renato em cima de si e foi quando virou-se para o portão da escola, mas seus olhos se cruzaram com os de Erick, que chegava em mesmo instante, segurando sua mochila. Teve que prender a respiração, porque seu coração foi parar no meio da garganta.
- Oi Erick. - Renato o cumprimentou, assim que Erick passou por ele pelo portão da escola. Erick parou de andar e virou-se para ele, com um meio sorriso nos lábios com piercing. - E aí, como foram as férias?
Erick deu de ombros sem responder. No fundo, todo mundo já sabia a resposta, que não eram boas notícias. Renato não soube mais o que falar e calou-se, indo juntar-se aos seus amigos.
- Oi, oi. - cumprimentou todos com um beijo no rosto.
- Erick! - Joyce avistou o namorado. Andou até ele com um sorriso nos lábios. trocaram um selinho. - Tudo bem?
- É..
- Ei, quando foi que ela ficou mais alta que você? - Cecília quem reparou, logo quando eles se juntaram.
Joyce conferiu seu sapato, apenas para constatar o que já sabia: estava sem salto para não ficar mais alta que ele. Sorriu sem graça. Erick riu.
- Ah, antes que eu me esqueça, hoje tem a primeira reunião do jornal, depois da aula. - Cecília emendou, ainda falando com Erick. - Não se atrase!
- Tá bem...
- Quer dizer que você tá mesmo namorando o Ênio? - Guta quis saber de Cecília com sua curiosidade de sempre.
- É, ela está! - Sofia quem deu a resposta, meio que debochando até cutucou Cecília com o cotovelo, a irmã apenas sorriu, um pouco sem graça.
- Ei, eu vou indo pra sala... - Renato avisou, olhando no relógio. - Já vai bater.
- Você leva minha mochila! - Andé exigiu de Erick, entregando sua mochila para seu irmão. Nesse momento, enquanto Erick pegava sua mochila, foi que André se tocou da dura verdade: agora eles não tinham que ser mais irmãos, visto que seus pais se separaram e eles não possuíam laços de sangue. Sentiu uma enorme tristeza.
E foi com esses pensamentos que André entrou na sala.
- O que você está fazendo, Cecy? - Joyce sentou-se ao lado de Cecília durante o intervalo das aulas, segurando seus cadernos.
- Ai, Joyce... - Cecília tinha levado o maior susto, concentrada escrevendo em um papel cheiroso e esverdeado com canetinhas coloridas.
- É uma carta de amor? - Joyce não podia acreditar. Cecília não era o tipo de garota que ficava apaixonada e cheia de romances pra cima de um cara. Cecília a encarou com a boca entreaberta e os olhos esverdeados arregalados se entregando. - Quem te viu e quem te vê, hein! Nunca imaginei que você fosse se derreter por um intelectualóide como o Ênio! Ele é do tipo que você não suporta! - Achou graça e soltou os cadernos em cima da mesa de mármore da lanchonete.
- Ah, como se você pudesse falar alguma coisa, namorando aquele marginal do Erick! - Cecília pegou pesado, não porque queria ofender Joyce mas nunca poupava ofensas quando o assunto era Erick.
- Não vou me dar ao trabalho em responder. - Joyce resmungou. Que saco. Por que Cecília tinha sempre que implicar com o seu namoro? Já estava há meses com Erick e estava feliz, custava aceitar? Tudo bem que Erick tinha alguns defeitos bem notáveis, mas as piores pessoas na opinião de Joyce eram sempre aquelas com defeitos mascarados. Erick era sincero e não saberia mentir, era autêntico demais.
- Não conte a ninguém. - Cecília pediu segredo a respeito de sua carta de amor.
- Tudo bem. - Joyce deu de ombros.
- E como estão as aulas de ballet? Já sabe se vai passar?
- O teste é só em outubro, estamos em agosto!
- Por falar nisso estamos é perto do meu aniversário... e da Sofia, claro... já que ela resolveu nascer no mesmo dia que eu! - Cecília pegou em sua bolsa dois convites em um envelope lilás. - Um para a dama e um para o vagabundo não entrar de penetra. - fez a famigerada piada. - Não vai ser uma mega festa porque a Sofia anda muito chata e não consigo fazer ela aceitar nada do que eu quero!!
- Já tava na hora da Sofia impor mais as vontades dela e parar de aceitar tudo o que você manda ela fazer.
- É, isso é. - Cecília riu. Joyce sempre dava o troco, não importava como... e era sempre mais bem sucedida! Uma classe digna de uma rainha que deixava a inocência da princesa para trás. - Vocês vão, certo?
- Acho que sim, eu tenho que ver com o Erick, as coisas tão meio chatas na casa dele.
- Ele é chato. Não sei o que você vê nele, são os piercings? Bem que ouvi falar que beijar gente de piercing é maravilhoso, só não achei que isso se aplicava a você. - Cecília provocou.
- Não sei explicar. Do lado do Erick eu me sinto segura.
- Segura do quê, Joyce? Ele é um bêbado, não tira notas altas... sem contar que tenho certeza que ele um dia vai trair você! Questão de tempo! Ele não presta, sério, aquele cara não me engana. Você é tão bonita e tudo mais, foi se apaixonar justo por um traste bêbado daquele naipe!! Você deve estar doida.
- Eu não preciso que ninguém escolha o meu namorado por mim.
- Tá, você quem sabe, mas pra mim você só está assim porque ele é o primeiro homem da sua vida, assim que você conhecer mais a fundo outros garotos, vai ver como eu tenho razão. - Cecília empinou o nariz daquele jeito só dela.
- Ah, você devia se concentrar na sua carta de amor e deixar o meu namoro em paz. - Joyce perdeu a paciência. Estava cansada dessa mesma droga de sempre, que era Cecília falando de Erick como se ele não fosse ninguém importante!
- Quando você vai dar uma aliança para ela? - Guta quis saber, com um olhar castanho e curioso.
- Eu estou pensando... - Erick ficou roxo de vergonha.
- Você ainda não consegue dizer né? Depois de tudo, falar aquelas três palavrinhas ainda é a coisa mais difícil do mundo para você, não é?
- É... - teve vontade de se esconder.
- Deve ser muito sincero. - Guta suspirou parando de copiar os exercícios no caderno de André, que estava do outro lado da sala conversando com Renato e outros colegas do time de basquete sobre seu braço quebrado.
- É... - Erick mal conseguia responder. Tudo bem, ele sabia que estava em débito com Joyce, que depois de todo o apoio, carinho e compreensão que recebeu estava mais do que na hora de contribuir, mas ainda era a coisa mais difícil da sua vida.
- Quer ir ao shopping essa semana? Podemos ir depois da aula, aí você já compra a aliança, posso roubar aquele anelzinho que ela de vez em quando usa... aquele que tem uma florzinha branca.
- Você faria isso?
- Você vai esperar até quando? Já tá mais do que na hora de você mostrar mais respeito e interesse na Joyce, ela é uma garota incrível e tem muitos caras nessa escola que invejam sua posição. Você tem que cuidar... sabe, igual aquela música da Beyoncé.
- Que diabos é Beyoncé?
- Uma cantora que a Joyce adora! Tipo a J-Lo!
- Não faz diferença... - Erick nem sabia o que J-Lo queria dizer, era um total alienado em cultura pop e música não era seu interesse favorito.
- Mas e então? Podemos ir sexta!
- Ih sexta tenho psicólogo, a nova invenção dos meus dois pais!
- É chato?
- É irritante. - Erick respondeu com um suspiro. - E tem um pessoal esquisito que vai la... não pode ser quarta?
- É um ótimo dia, quarta a Joyce tem aula de ballet então ela nem vai reparar e daí você pode dar a aliança pra ela na quinta.
- Quinta?! - Erick se assustou.
- Ou sábado! Sábado seria perfeito, Erick! Conheço um restaurante que ela adora desde criança! Tenho certeza que é o local perfeito, tem um jardim de rosas brancas...
- Ai Guta não exagera, né! Nem sou assim tão romântico! Vai ficar na cara que é forçação.
- É, agora que você falou é verdade... mas vou pensar em algo melhor! Até lá vou me concentrar em roubar aquele anel dela!
- Obrigado... - Erick não sabia se queria realmente agradecer a Guta por colocá-lo naquele tipo de enrascada.
- Sabe as vezes parece que você não gosta tanto da Joyce, você é tão frio e sem reação!
- Desculpe, mas a reação é exatamente essa! Dá um nó na garganta que nem sei dizer! E só piora...
- Ai Erick, quem vê pensa que você nunca namorou sério!
- Não mesmo! Eu não sou de namorar esqueceu? Eu não tenho paciência com garotas eu mal me interesso nelas e no entanto, pela Joyce eu fui contra todos os meus princípios! Ela me deixa fora de órbita...
- Que romântico! - Guta suspirou inspirada.
- Não é romântico! - Erick soou em desespero. - Eu as vezes até esqueço de ficar triste quando estou do lado dela... mesmo quando as coisas estão um lixo.
- É, Erick... acho que posso dizer que a Joyce é o seu primeiro grande amor! Engraçado que eu achei que era a Sofia, lembra como você tremia do lado dela? - riu debochando da cara de desespero que Erick lançou. - Acho bom você treinar muito aquelas três palavrinhas para dizer o quanto antes pra Joyce, antes que ela comece a confundir sua timidez por falta de interesse.
- Você acha? Ela mesmo disse que eu não precisava falar...
- Tenho certeza que ela só não quis forçar, mas deve estar doida pra ouvir você dizer...! E você não diz porque é um bobo, ou medroso! Aliás, você tem medo de quê?
- De várias coisas... você mesma disse: a Joyce é incrível. - Erick confessou. Seu maior medo era tentar ser suficiente para ela e não ser, por isso preferia assumir que não era logo de cara, assim Joyce teria que aceitá-lo como o erro que era, sem ilusões de que dalí sairia um príncipe encantado.
Guta deu de ombros e continuou a copiar os exercícios para André. Achava bonitinho que Erick sentisse essas coisas tão simples por Joyce, meio que se enxergava no amigo quando pensava assim em relação a André, só queria que André fosse mais fofo que Erick!
- Então está decidido. - Mariluce por fim acrescentou naquela reunião. - A primeira matéria que iremos fazer vai ser sobre o campeoato de basquete! Quero uma matéria exclusiva de cada atleta famoso e claro, sobre o esporte. Você acha que consegue tirar umas fotos legais até quinta, Erick?
- Sim... - respondeu entediado.
- Por mim tudo bem - Adalberto falou, ele estava deixando o cabelo mais comprido. - Mas detesto basquete.
- Ótimo! Adalberto, você vai escrever as matérias por enquanto. A Sofia cuida da produção gráfica, o que significa que ela vai te acompanhar para dirigir suas fotos. - virou para Erick - Quero muita seriedade com esse tema, já que vai ser o meu último, agora no fim do ano tenho que me dedicar ao vestibular e a Cecy vai ser a nova editora! - Mariluce anunciou. - Cecy, você vai sair pouco da redação, tenho poucas semanas para te passar todos os processos... e temos que escolher mais uma menina para ser a jornalista.
- Ah, já tenho alguém em mente, pensei na Janete do primeiro colegial ou na Gleide! - Cecília já tinha anotado quais meninas teriam talento para ocupar sua vaga.
- Ótimo! - Mariluce decidiu por fim. - Agora é com vocês!
- Certo. - Sofia concordou. - Acho que podemos tirar umas fotos durante o treino e mais algumas no jogo, preciso só conferir o calendário das finais. O que você acha de quinta nos treinos, Erick?
- Tudo bem por mim. - concordou dando de ombros.
Sofia sorriu com alegria. Quinta-feira era um dia perfeito para colocar seu plano em prática!
André estava sentado no banco de cimento diante do canteiro, esperando na porta da escola por Erick sair da reunião do jornal. Estava com os pensamentos em crise, rodando e rodando como um tornado.
Quando Erick saiu arrumando sua mochila, quase não percebeu André, mas o garoto de braço quebrado pigarreou chamando sua atenção.
- O que você tá fazendo aqui?
- Esperando você... - André esperou Erick se aproximar. - Queria conversar...
- Ué, sobre o quê?
- Ah você sabe, sobre o papai e a mamãe... - André estava visivelmente chateado. Erick suspirou e sentou-se do lado dele largando sua mochila. - Estava pensando, agora não somos mais irmãos. Isso não é estranho?
- É, gosto mais de você agora! - Erick debochou.
- Eu... estou me sentindo mal. - André confessou. - A gente vivia brigando, lembra? Mas isso nos fez bem amigos... e agora isso acabou bruscamente. Quer dizer, agora que eu me acostumei contigo e estava até aceitando o fato de sermos irmãos... voltamos a ser apenas amigos, aliás... somos amigos?
- É acho que somos. - Erick abaixou os olhos. - Sabe é estranho... agora eu moro com um homem que foi mais seu pai do que meu esse tempo todo...
- Eu não sei como você se sente em relação a isso, mas pela sua cara, não deve ser legal. Eu não sabia que o papai tinha um filho.. ele nem e meu pai verdadeiro mas é como se fosse, deve ser assim que você se sente com o Gregory.. não é?
- É... mas ele não pode mais ser o meu pai agora.
- Você lembra aquela vez que você teve uma crise alérgica no The Marine?
- Lembro.
- Naquela noite eu tive certeza de que papai, digo, seu pai se preocupa com você... tenho certeza que o passado...
- Eu sei. - Erick o interrompeu. - Conversamos... eu entendi isso. Mas pra piorar, eu estraguei tudo... se eu nunca tivesse vindo pra cá, eles nunca teriam se separado.
- Você também roubou a minha namorada...
- Caso você tenha esquecido você já estava com a Guta...
- Eu sei. Na verdade Erick eu não te responsabilizo por isso e se fosse responsabilizar não ia olhar por esse lado, na verdade, iria te agradecer, já que só descobri o quanto eu gosto da Guta depois de tudo o que aconteceu.
- Certo... e o que vamos fazer?
- Eu não gosto da separação da minha mãe e do seu pai, mas isso é uma escolha deles e não nossa. Acho que o melhor que fazemos é aceitar isso e sermos bons amigos. O que acha?
- É uma idéia...
- É... acho que sim.
E foi dessa forma que de irmãos que se odeiam, Erick e André passaram a ser melhores amigos.




